Além de Cargill, Cofco e CHS relatam problemas em embarques de soja à China

Além da Cargill, ao menos duas outras tradings exportadoras relataram problemas com embarque de navios à China com soja por conta de alterações no processo ...

Além de Cargill, Cofco e CHS relatam problemas em embarques de soja à China
Além de Cargill, Cofco e CHS relatam problemas em embarques de soja à China (Foto: Reprodução)

Além da Cargill, ao menos duas outras tradings exportadoras relataram problemas com embarque de navios à China com soja por conta de alterações no processo de inspeção de cargas do grão nos portos feitas pelo Ministério da Agricultura. Documentos vistos pela reportagem mostram que a Cofco International e a CHS Agronegócio também pediram para que a Pasta considerasse como amostra fiscal de embarque de cargas de soja em navios no Porto de Santos a amostra recolhida e manipulada pelas empresas supervisoras. A Pasta sugere redirecionar as cargas para outros destinos. Consultadas, as empresas ainda não responderam se tiveram que suspender os envios. O ministério não comentou. O espaço segue aberto. Mais cedo, o Valor noticiou que a Cargill relatou alterações no processo de inspeção de cargas de soja nos portos para fins de certificação sanitária internacional, conforme informou a Reuters. A medida estaria travando o embarque de ao menos 20 navios de exportadores brasileiros para a China. No pedido para reconsideração da análise da amostra, a Cargill relatou a situação de um navio no porto de Tubarão (SC). As solicitações foram feitas na sexta-feira passada (6/3). A resposta da área técnica do Ministério da Agricultura tem sido padrão para todas as empresas. Ofício enviado pela Pasta para Cargill, CHS e Cofoc diz que "todos os procedimentos legais foram cumpridos e durante a inspeção física foram identificados vários espécimes diferentes, que foram encaminhados para análise laboratorial para confirmar a espécie". Em uma das respostas, o ministério diz que identificou espécies de plantas daninhas quarentenárias para a China, ou seja, que são ausentes lá. Com isso, a carga não atende aos requisitos fitossanitários exigidos, o que impossibilita a certificação fitossanitária para aquele destino. "Considerando o que consta na legislação, considerando o procedimento de amostragem e tratamento da amostra e o procedimento de inspeção fitossanitária do envio, não há previsão legal para realizar nova análise com base em uma terceira amostra, dado que a presença de pragas quarentenárias para a China no envio de soja já foi constatado, o que configura impossibilidade de cumprimento dos requisitos fitossanitários e, consequentemente, da certificação para este destino", relatou a área técnica do ministério às empresas no ofício enviado na noite dessa quarta-feira (11/3). A Pasta ressaltou que os exportadores podem solicitar o envio da carga para outro destino que não tenha as pragas detectadas como impeditivo para a certificação. Uma fonte do setor explicou que a postura mais rígida do ministério é para tentar mostrar a credibilidade do sistema sanitário brasileiro nesse ponto em específico, o controle de materiais que não sejam soja em cargas do grão enviadas à China. Os chineses já haviam relatado a identificação de sementes estranhas em cargas brasileiras recentemente. O setor exportador tentou compor uma medida em parceria com o governo para intensificar o monitoramento e eliminar a presença desses materiais nas cargas, mas a opção foi impor medida mais dura de inspeção. A fonte garante que houve “mudança de procedimento” para as cargas embarcadas desta safra para a China. A nova postura funciona como uma resposta às notificações feitas pelos chineses, mas não houve pedido explícito de “tolerância zero”. A intenção do Ministério da Agricultura, por outro lado, é evitar eventuais ações “mais drásticas” por parte dos asiáticos, como uma suspensão das compras. No setor, no entanto, essa postura pode representar custos. Além dos embarques, que terão que ser redirecionados, as ações para corrigir os níveis de impureza e aumentar a limpeza da soja geram gastos. São medidas adotadas não só nos portos, pode ser também nos armazéns. Em alguns casos, podem ser devolvidas cargas em caminhões.  Além de custos, as iniciativas geram desgaste com os fornecedores e compradores e reduz a eficiência logística do sistema, o que preocupa as tradings.