Americana Summit planeja produzir SAF de etanol no Brasil

O Summit Agricultural Group, companhia americana de private equity voltada ao agronegócio, planeja construir uma planta de combustível sustentável para avia...

Americana Summit  planeja  produzir SAF de etanol no Brasil
Americana Summit planeja produzir SAF de etanol no Brasil (Foto: Reprodução)

O Summit Agricultural Group, companhia americana de private equity voltada ao agronegócio, planeja construir uma planta de combustível sustentável para aviação (SAF) no Brasil. O projeto é estimado em cerca de US$ 2 bilhões, que devem ser captados de investidores nos Estados Unidos, disse ao ValorBruce Rastetter, fundador e presidente do conselho da empresa. Batizada de JetBio, a companhia produzirá combustível à base de etanol proveniente da segunda safra de milho, área em que o Summit já atua no país, e também de cana-de-açúcar. A unidade ficará em Paulínia, no interior de São Paulo. A cidade foi escolhida por estar em um corredor industrial que conta com acesso a rodovias e ferrovias. A produção está prevista para começar em 2030. A operação representa a estreia do Summit no mercado de SAF e pode se tornar a primeira iniciativa de produção em grande escala no mundo. No ano passado, os combustíveis sustentáveis representaram apenas 0,6% do consumo do setor de aviação e a expectativa é que cheguem a 0,8% neste ano. É pouco, mas as companhias aéreas terão de seguir obrigatoriamente parâmetros de descarbonização a partir de 2027, estabelecidos pela Organização da Aviação Civil Internacional (Icao, na sigla em inglês). Vem daí a aposta de que o segmento passará por uma expansão mais relevante. Leia também Decreto que regulamenta mandato de SAF está pronto e depende de burocracia, diz ministério Produção global de SAF ainda é menos de 1% do necessário para o netzero, diz Airbus “A oportunidade é usar a experiência que adquirimos investindo no Brasil para avançar ainda mais na cadeia de valor do etanol no país”, afirmou Rastetter. O empresário, pouco afeito a entrevistas, conversou com o Valor durante evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) neste mês em Nova York, onde foi homenageado como uma das lideranças que fortalecem a relação Brasil-EUA. O empresário cresceu em uma fazenda no Estado americano de Iowa, mas é um velho conhecido do mercado brasileiro. O Summit fez seu primeiro negócio no país em 2011, quando investiu em um fundo de terras, que vendeu quase uma década mais tarde. Hoje, o grupo é acionista da FS, segunda maior produtora local de etanol de milho — criada em 2017, a companhia é controlada por uma joint venture entre o Summit e a Tapajós Participações e, neste mês, teve 40% de seu capital adquirido pela Amaggi. Os investimentos do grupo no país já somam quase R$ 10 bilhões, afirma o empresário. De acordo com Rastetter, a JetBio é uma nova frente de investimentos do Summit e não tem relação direta com o veículo por meio do qual o grupo investe na FS. O aporte será feito por meio de outro fundo. Mesmo assim, a FS terá um papel relevante no projeto porque deverá ser uma das fornecedoras do etanol a ser usado na produção. A companhia também tem outra característica que Rastetter considera essencial para o êxito da JetBio e que o levou a preferir o Brasil aos EUA como local para desenvolver o empreendimento: a baixa pegada de carbono quando comparado ao combustível produzido em outras regiões do mundo. Esse é um fator importante para que o modelo da nova companhia seja eficiente em termos de escala e custo, diz. A FS deve dar um passo além nesse sentido nos próximos meses. A empresa prevê inaugurar em setembro uma unidade de captura e armazenamento de carbono em Lucas do Rio Verde (MT). De acordo com Rafael Abud, fundador e CEO da companhia, o projeto a tornará a primeira produtora de etanol de milho negativa em carbono no mundo. “Vamos ser o maior produtor global de combustível carbono negativo”, afirma. A ideia é fazer a captura e o armazenamento do carbono (CCS, na sigla em inglês) gerado no processo de fermentação. Nesse processo, o dióxido de carbono é capturado, comprimido, liquefeito e posteriormente injetado no subsolo. A combinação de uso de biomassa, milho de segunda safra e sequestro de carbono levará, de acordo com a empresa, a um resultado negativo em emissões. Segundo Rastetter, já existem conversas com empresas aéreas para vender o SAF da JetBio. “Quando você olha ao redor do mundo, todas as grandes companhias aéreas têm metas para combustível sustentável de aviação. Então, conversamos com várias delas e continuaremos fechando contratos de compra conforme avançarmos na construção da planta”, diz. Rastetter também tem em vista o fornecimento de etanol de milho de segunda safra para o ainda nascente mercado marítimo de biocombustíveis. Nesse caso, os parâmetros de descarbonização ainda não foram definidos, mas estão em discussão e há uma demanda das empresas por soluções. A unidade de captura e armazenamento de carbono da FS prevê um investimento de R$ 500 milhões. A empresa também está construindo sua quarta usina de etanol, em Campo Novo do Parecis (MT), a ser inaugurada no fim deste ano, um projeto de R$ 2 bilhões.