Biometano, uma solução que gera PIB para o Brasil

A descarbonização com o biometano produz mais que benefícios ambientais; gera emprego, renda e desenvolvimento. A combinação dos biocombustíveis com a ma...

Biometano, uma solução que gera PIB para o Brasil
Biometano, uma solução que gera PIB para o Brasil (Foto: Reprodução)

A descarbonização com o biometano produz mais que benefícios ambientais; gera emprego, renda e desenvolvimento. A combinação dos biocombustíveis com a matriz elétrica mais limpa e renovável do mundo, entre países com dimensões continentais, sugere que nossas soluções influenciem mercados externos, mas há desafios e barreiras a serem vencidas e para isso, atrair investimentos é fundamental e os projetos precisam sair do papel. No transporte, os veículos pesados respondem por mais da metade das emissões de gases de efeito estufa, embora representem apenas 5% da frota total. O processo de transição energética é lento e soluções que funcionam em outros países podem não funcionar no Brasil. O biometano é a solução mais viável para descarbonizar a frota de caminhões e ônibus e pode ser produzido a partir de várias fontes. Tem potencial para aumentar a produção e oferta em escala exponencial, gerar emprego, renda e substituir o diesel e o GLP. Tem ciclo de carbono renovável e reduz as emissões de gases efeito estufa em até 90% em relação ao diesel B15, dependendo da origem da biomassa e da eficiência do processo As novas rotas tecnológicas para descarbonização da mobilidade não podem ser impostas, é preciso que sejam viáveis e tragam benefícios socioeconômicos para o país. Dessa forma, é possível separar a razão, das decisões por impulso que tentam adotar agendas externas em um mercado que não dará sustentação para elas. Globo Rural O Brasil produz menos de dois milhões de metros cúbicos por dia de biometano, mas com base em movimentos firmes de projetos, segundo a ABIOGÁS, o setor projeta oferta de oito milhões de metros cúbicos por dia no início da próxima década. Temos potencial de produzir 120 milhões de metros cúbicos por dia em 2040, o que permitirá atender o mercado doméstico e exportar; situação propícia para atrair investimentos. Em 2025, o Brasil importou 17,3 bilhões de litros de diesel A, um aumento de 20% em relação ao ano anterior. A importação do diesel na matriz energética implica em dependência externa, custos logísticos, questões de segurança energética e riscos econômicos, cambiais e geopolíticos. Leia mais opiniões de especialistas e lideranças do agro O biometano pode substituir todo o GLP e cerca de 70% do diesel importado, no médio prazo. Além disso, tem papel fundamental na substituição do gás natural, um combustível fóssil e finito. As fontes de produção de biometano são várias: aterros sanitários, resíduos urbanos, dejetos animais, resíduos da indústria sucroenergética. O Brasil gera 80 milhões de toneladas de lixo por ano e cerca de 40% é descartado em lixões que liberam gás metano (CH4) sem tratamento. Esse gás é muito mais potente que o dióxido de carbono no efeito estufa. Em Potencial de Aquecimento Global (GWP), nos primeiros vinte anos na atmosfera o metano é 80 vezes mais nocivo que o CO2. O biometano é o energético com menor intensidade de CO2 equivalente, segundo a EPE e 2,5 vezes menor intensidade de CO2 que a eletricidade destinada à mobilidade de veículos pesados. Em termos operacionais um veículo pesado movido a biometano emite menos, é mais barato, possui custo operacional menor, menos ruído, manutenção conhecida, redes de abastecimento e de assistência técnica disponíveis, e revenda previsível. A Lei do Combustível do Futuro (nº 14.993/24) promove a mobilidade sustentável de baixo carbono e fomenta o mercado de biogás e biometano. A política de incentivo ao uso de biometano como combustível em veículos pesados e ônibus terá impactos econômicos importantes na agricultura e pecuária, na gestão de resíduos urbanos, no transporte rodoviário de cargas e passageiros, na indústria de energia renovável, na saúde pública, no meio ambiente e na economia local e regional. Na geração de empregos o setor estima que pode gerar mais de 800 mil empregos diretos. Os dados são da ABIOGÁS em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Questões como infraestrutura, integração à rede de gasodutos, logística de transportes, postos de abastecimentos, investimentos elevados na produção, competição com o diesel subsidiado, poucas linhas de financiamento e crédito para pequenos produtores, incentivo à frota de veículos pesados movidos a biometano e um programa de renovação da frota. Todo investimento precisa de retorno financeiro adequado e em vários países as soluções para descarbonização, por meio de bioenergéticos, só foram possíveis graças a programas de incentivo. O estudo da LCA Consultores, “Iniciativas e Desafios Estruturantes para impulsionar a mobilidade de baixo carbono no Brasil até 2040”, contratado pelo Instituto MBCBrasil, identificou os desafios estruturantes para que o país possa atender às demandas de bioenergéticos nos próximos quinze anos, com destaque sobre o biometano, etanol, biodiesel e eletrificação, apresentando sugestões de políticas públicas, apontando vantagens, benefícios e barreiras a serem vencidas. O biometano é a chave para a descarbonização do transporte pesado e um impulso socioeconômico para o país. * Orlando Merluzzi é gestor do Instituto MBCBrasil As ideias e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial da Globo Rural