Cacau subiu 21% em maio com receios sobre impacto do El Niño

O cacau voltou a ser destaque no mercado de commodities agrícolas em maio. O temor a respeito dos possíveis impactos do fenômeno climático El Niño para a s...

Cacau subiu 21% em maio com receios sobre impacto do El Niño
Cacau subiu 21% em maio com receios sobre impacto do El Niño (Foto: Reprodução)

O cacau voltou a ser destaque no mercado de commodities agrícolas em maio. O temor a respeito dos possíveis impactos do fenômeno climático El Niño para a safra no oeste da África fez os preços dispararem no mês passado na bolsa de Nova York. No mercado futuro em Chicago, o trigo teve a maior valorização entre os grãos, refletindo o efeito da falta de chuvas sobre as lavouras americanas. Cada vez mais agências meteorológicas preveem um El Niño de forte intensidade no segundo semestre do ano, o que pode levar seca ao oeste da África, região responsável pela produção de cerca de 70% do cacau do mundo. Diante do receio de investidores de que a produção do ciclo 2026/27, que se inicia em outubro, seja afetada, os contratos futuros de segunda posição da commodity subiram 21,5% em Nova York em maio, para um preço médio de US$ 4.107 a tonelada, conforme o Valor Data. +Acompanhe aqui as cotações das principais commodities agrícolas Apenas na primeira semana de maio, a cotação futura do cacau teve alta de 30%, depois de a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA, na sigla em inglês) indicar que há chance de 79% de o fenômeno ocorrer entre junho e agosto. “A principal preocupação com o El Niño está no Harmatã, que são os ventos quentes e secos que vêm do deserto do Saara. Eles podem bloquear as chuvas na Costa do Marfim e em Gana durante o período crucial de desenvolvimento das plantas”, diz Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX. O risco levou a consultoria a ajustar sua previsão de superávit global para o cacau no ciclo 2026/27 para 149 mil toneladas, em comparação com as 247 mil toneladas previstas para a temporada anterior. Na safra 2023/24, última vez em que o El Niño impactou a produção do oeste africano, o mundo teve um déficit de quase 500 mil toneladas de cacau. Informações no mercado de redução nas vagens dos cacaueiros africanos também reforçaram as incertezas em relação à colheita no ciclo 2026/27, segundo a StoneX. Sob influência do petróleo Nos mercados de açúcar e algodão em Nova York, a oscilação do petróleo, provocada pela guerra no Oriente Médio, foi determinante para a alta nos preços em maio. Os contratos de açúcar de segunda posição avançaram 7,4%, para um valor médio de 15,29 centavos de dólar a libra-peso. No caso do algodão, houve alta de 6,6%, para 82,51 centavos de dólar a libra-peso. Com o petróleo mais caro, a gasolina, em tese, perde competitividade em relação ao etanol hidratado no Brasil, levando as usinas de cana do país a priorizarem o biocombustível em detrimento do açúcar. O algodão também sentiu os efeitos da alta do petróleo, pois, nesse cenário, os tecidos sintéticos ficam menos competitivos na comparação com as fibras naturais. Ainda na bolsa de Nova York, o preço do café caiu com o persistente otimismo para a safra no Brasil, maior produtor e exportador mundial da variedade arábica. Os contratos de segunda posição recuaram 6,1%, para US$ 2,7286 a libra-peso, na média. No mercado de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês), o preço médio do suco de laranja caiu 5,1%, a US$ 1,7668 a libra-peso. Grãos na bolsa de Chicago Na bolsa de Chicago, o trigo teve a alta mais relevante entre os grãos novamente em maio. Os contratos futuros do cereal subiram 6,1%, para US$ 6,4836 o bushel na média, segundo o Valor Data. A colheita de trigo de inverno se iniciou apenas no fim de maio em algumas áreas dos Estados Unidos, mas os analistas já dão como certa uma quebra de safra em 2025/26. “É muito raro ver o trigo cotado acima de US$ 6 em Chicago. Isso está acontecendo este ano devido à redução de área nos EUA, que é a menor desde 1914, e também pela seca observada na principal região produtora do país, as Grandes Planícies”, detalha Luiz Pacheco, analista da T&F Consultoria Agroeconômica. Atualmente, apenas 26% das lavouras de trigo de inverno dos Estados Unidos apresentam boas ou excelentes condições. Na mesma época no ano passado, esse índice era de 50%. Segundo Pacheco, o encontro entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, em maio, criou uma expectativa no mercado de aumento de compras de itens agrícolas americanos pelo país asiático. Esse sentimento cresceu após afirmações do republicano indicarem um acordo comercial. A China, por ora, não confirmou qualquer negociação. Mas a fala de Trump bastou para impulsionar os demais grãos em Chicago. Leia mais: China e EUA concordam em expandir comércio agrícola e reduzir tarifas Os contratos futuros da soja subiram 1,5% em maio, para US$ 12,0158 o bushel na média, enquanto os do milho tiveram uma alta de 2,1%, para uma média de US$ 4,7223 o bushel.