China reconhece Brasil como livre de febre aftosa e pode ampliar mercados para carnes

A China anunciou nesta terça-feira (2/6) o reconhecimento do status sanitário de todo o território do Brasil como livre de febre aftosa. A decisão ocorre ap...

China reconhece Brasil como livre de febre aftosa e pode ampliar mercados para carnes
China reconhece Brasil como livre de febre aftosa e pode ampliar mercados para carnes (Foto: Reprodução)

A China anunciou nesta terça-feira (2/6) o reconhecimento do status sanitário de todo o território do Brasil como livre de febre aftosa. A decisão ocorre após mais de 20 anos de negociação entre os países. A medida deve ter efeitos imediatos na exportação de carne suína com osso e miúdos externos e pode ajudar as autoridades brasileiras a avançarem nas negociações para ampliar vendas de carne bovina. A decisão foi anunciada durante a visita do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Pequim. Em nota, o Itamaraty e o Ministério da Agricultura afirmaram que "o reconhecimento amplia oportunidades para as exportações de produtos bovinos e suínos oriundos do Brasil no mercado chinês, como miúdos e carne com osso". As exportações do agronegócio brasileiro com destino à China ultrapassaram US$ 50 bilhões em 2025. No ano passado, a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) já havia reconhecido o Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, afirmou à reportagem que o efeito para a suinocultura brasileira é imediato. "Plantas já habilitadas poderão pedir aumento de escopo para exportar carne com osso e miúdos externos", disse. Atualmente, apenas as unidades de Santa Catarina, Estado que já tinha o reconhecimento do status sanitário de livre de febre aftosa pela China, podiam enviar carne com osso e miúdos externos. Ao todo, o Brasil tem 19 plantas de suínos habilitadas para exportar aos chineses, das quais nove são catarinenses. O principal beneficiário deverá ser o Rio Grande do Sul, que tem oito plantas habilitadas para a China, que poderão requerer autorização para envio de carne com osso e miúdos. As outras duas unidades são em Mato Grosso e Goiás. "É uma notícia gigante, que muda o cenário para esse ano para a carne suína. As plantas além de Santa Catarina vão poder exportar carne com osso e miúdos externos", destacou Rua. O secretário disse que o reconhecimento ajudará também nas negociações para ampliação do mercado de carne bovina e inserção de itens que não estão previstos na cota anual imposta pela China. "Somado ao reconhecimento em fevereiro da EEB [doença do mal da vaca louca], permitirá avançar nas negociações para inclusão de carne bovina com osso e miúdos no protocolo", avaliou. Ele também vê a possibilidade de a decisão ajudar nas tratativas para abertura do mercado de cálculo biliar, produto de alto valor agregado e com forte demanda pela medicina tradicional chinesa. O Ministério da Agricultura afirmou, em nota, que o reconhecimento pela China do status sanitário de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa é resultado das tratativas conduzidas pela Pasta durante a missão oficial do ministro André de Paula a Pequim há duas semanas. "Em reuniões com autoridades chinesas das áreas de Agricultura e Comércio, foram apresentados os avanços do sistema brasileiro de defesa agropecuária e reforçado o pleito pelo reconhecimento do status sanitário nacional", disse a Pasta. O secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, disse que decisão tem importância estratégia para a ampliação do acesso de produtos brasileiros ao mercado chinês. Repercussão no setor produtivo A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou, em nota, que considera "histórica" a decisão do governo chinês, anunciada em conjunto com a Administração-Geral de Alfândegas (GACC, na sigla em inglês) e o Ministério da Agricultura e dos Assuntos Rurais (Mara). Para a entidade, a medida representa um "marco para a pecuária brasileira e para a relação comercial entre os dois países". Para a Abiec, a decisão é resultado do trabalho contínuo realizado por produtores rurais, indústrias, serviços veterinários oficiais e demais instituições envolvidas na defesa agropecuária. "A conquista reflete a capacidade do Brasil de unir excelência técnica e diálogo institucional em favor da ampliação do comércio agropecuário", disse na nota. "Para a cadeia da carne bovina, a decisão traz ainda mais segurança e previsibilidade para o comércio entre Brasil e China. Principal destino das exportações brasileiras do produto, a China desempenha papel fundamental para o setor, e esse avanço reforça a confiança construída ao longo dos anos, criando condições para o aprofundamento das relações comerciais e para a geração de mais oportunidades ao longo de toda a cadeia produtiva", completou a Abiec. A notícia também favorece as exportações de couro wet blue. Com o reconhecimento, as vendas brasileiras não precisarão mais de Certificado Sanitário Internacional (CSI), o que facilita o processo. Recentemente, 90 plantas foram habilitadas para exportar o produto à China. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) também disse, em nota, que a medida representa “importante” reconhecimento dos controles sanitários da carne bovina brasileira por seu maior parceiro comercial. “(A decisão) Abre novas e importantes oportunidades de ampliação do comércio, com possibilidade concreta de abertura de mercado para produtos como carne com osso e miúdos bovinos", disse Paulo Mustefaga, presidente da Abrafrigo. Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou, em nota, que o reconhecimento do território brasileiro, por parte das autoridades chinesas, como livre de febre aftosa, beneficiará diretamente a suinocultura nacional e deve incrementar os embarques anuais em cerca de 40 mil toneladas. Para o presidente da entidade, Ricardo Santin, a medida representa um avanço na consolidação da confiança sanitária construída entre Brasil e China ao longo das últimas décadas e reforça o reconhecimento internacional sobre a qualidade do sistema brasileiro de defesa agropecuária. "O anúncio amplia as oportunidades para a cadeia produtiva brasileira de carne suína, especialmente em Estados que passam a contar com o mesmo reconhecimento sanitário anteriormente concedido apenas a regiões específicas do país", afirmou Santin, na nota. Segundo estimativas da ABPA, a ampliação do reconhecimento sanitário para outros Estados (até então apenas Santa Catarina tinha esse status) com plantas habilitadas para exportação poderá representar incremento superior a 40 mil toneladas anuais nos embarques brasileiros destinados ao mercado chinês, com impacto positivo para a geração de renda, empregos e divisas para o país. A expectativa da associação é que os frigoríficos gaúchos e de Mato Grosso possam começar a embarcar imediatamente carnes com osso e miúdos externos, produtos que apenas as plantas catarinenses tinham permissão até agora. Segundo a ABPA, novas oportunidades poderão surgir para outros Estados, com potenciais futuras habilitações. Initial plugin text