Chuvas em excesso prejudicam plantio de milho em Mato Grosso

Após a dificuldade enfrentada com o excesso de chuvas para a colheita de soja, Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, também vê atraso no plantio do...

Chuvas em excesso prejudicam plantio de milho em Mato Grosso
Chuvas em excesso prejudicam plantio de milho em Mato Grosso (Foto: Reprodução)

Após a dificuldade enfrentada com o excesso de chuvas para a colheita de soja, Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, também vê atraso no plantio do milho da safra 2025/26. Os produtores do Estado semearam, até o momento, 93,68% da área prevista, índice inferior aos 96,44% plantados nesse mesmo período do ano passado, segundo o Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (Imea). De acordo com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), são mais de 20 dias de atraso em relação à data ideal de plantio. Essa situação é um reflexo do atraso na semeadura da soja em novembro de 2025, por falta de chuva, e posteriormente no atraso da colheita do grão por excesso de chuva. A ferramenta de clima da associação apontou o acúmulo de até 900 milímetros de chuva em alguns municípios em apenas 60 dias. Além de prejudicar o plantio, a grande quantidade de chuva também prejudica os produtores que já conseguiram semear o milho, pois as enxurradas podem causar problemas nos estandes, como explicou o diretor financeiro da Aprosoja, Nathan Belusso. “O milho é uma cultura muito mais técnica do que a soja, ela utiliza menos plantas por metro linear, menos plantas por hectare, e por consequência, você pode ter uma perda de plantas, uma perda da população do estande. Como consequência, gera um efeito direto na produção final da cultura, então a gente tem que ficar atento ao desenvolvimento do plantio do milho, principalmente nessas regiões que estão mais atrasadas, que estão sofrendo com muita chuva agora”, disse, em nota. A ferramenta de clima da Aprosoja monitorou as precipitações por 60 dias, de 25 de dezembro de 2025 a 25 de fevereiro de 2026, e identificou o acúmulo de 700 a 900 mm de chuva nos municípios específicos de Diamantino, Nova Mutum, Vera, Sinop, Claúdia, Matupá e em Querência. Nas demais áreas do Estado, os dados meteorológicos apontaram acúmulos de 150 a 500 milímetros de chuva. As precipitações não permitem que os maquinários adentrem as áreas de plantio por risco de compactação e degradação do solo. Com isso, o produtor rural fica à espera de melhores condições climáticas. Initial plugin text Com a grande quantidade de chuva no início do plantio e o atraso da semeadura, o produtor rural de Nova Ubiratã, Fábio Luis Bratz, contou que está preocupado com as condições climáticas nos próximos meses, enquanto o milho estiver florescendo. “A chuva atrasou a colheita da soja, choveu muito aqui na região e depois colhemos a soja, mas a nossa maior preocupação é a falta de chuva lá na frente, no final do ciclo. Pode ser que a chuva corte mais cedo e aí não dê tempo do milho expressar todo o seu potencial produtivo”, relatou. Bratz afirma que o milho está sendo plantado fora da janela ideal na propriedade dele. O agricultor explica que vai terminar o plantio e vai seguir na esperança de que as chuvas se mantenham normais durante toda a safra. “O milho já está sendo plantado fora da janela. Nós já plantamos atrasado, e o problema é que talvez não vamos conseguir produzir. A semente está aí, o adubo também, tem que plantar, não tem como fazer. Vamos ver depois se produzimos para pagar pelo menos essa conta aí”, disse.