Corteva e Aprosoja lançam cartilha sobre pragas quarentenárias na soja
A Corteva Agriscience e a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) lançaram, nesta terça-feira (2/6), em Brasília, uma cartilha com i...
A Corteva Agriscience e a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) lançaram, nesta terça-feira (2/6), em Brasília, uma cartilha com informações sobre pragas quarentenárias na cultura da oleaginosa e indicações de manejo. O objetivo é blindar a produção nacional e garantir fluidez no comércio internacional. O documento foi elaborado após a China barrar temporariamente o envio de ao menos 20 navios com o grão em março deste ano após detecção de sementes de plantas daninhas e vestígios de pragas ausentes no território chinês nas cargas. A elaboração da cartilha contou com o apoio do professor Mauro Rizzardi, engenheiro agrônomo e docente da Universidade de Passo Fundo (UPF). Pragas quarentenárias são organismos, como insetos, fungos, bactérias, vírus ou plantas daninhas, que representam alto risco econômico. Elas ameaçam a sanidade vegetal e limitam exportações, e por isso são alvo do controle oficial. "As pragas quarentenárias são um tema crítico para a balança comercial brasileira, e a conscientização é o melhor caminho para proteger nossa produtividade", afirmou Jair Maggioni, coordenador de Boas Práticas Agrícolas da Corteva no Brasil. Segundo material divulgado por Corteva e Aprosoja Brasil, reverter um navio cargueiro, somado às multas contratuais e à necessidade de reprocessamento da carga, pode gerar prejuízos de milhões de dólares por embarcação. Além do custo logístico de redirecionar ou reprocessar cargas de 69 mil toneladas, a capacidade média de um navio Panamax, por exemplo, o setor enfrentou o cancelamento de contratos e a queda nos prêmios de exportação. "Somando-se ao impacto financeiro direto, incidentes como esse, podem gerar risco de imagem do Brasil, que exporta cerca de 80% de sua soja para o mercado chinês, colocando o país sob regimes de inspeção mais rigorosos, o que atrasa o escoamento da safra e reduz a competitividade do produto nacional frente a concorrentes globais", disseram Corteva e Aprosoja. A cartilha sugere o "manejo outonal" como chave para minimizar os casos de pragas quarentenárias nas cargas de soja. Trata-se de um controle fitossanitário realizado no período de entressafra, logo após a colheita das culturas de verão, como a soja, por exemplo, e antes do plantio da safra seguinte. Muitas sementes de plantas daninhas proibidas por mercados exigentes, como o chinês, proliferam justamente nesse período de transição se a área for deixada sem tratamento. Manter o campo limpo no outono garante que a próxima safra se desenvolva em um ambiente com baixa pressão de pragas, reduzindo o risco de contaminação cruzada durante a colheita e o beneficiamento, disse a Corteva. "É uma janela de segurança vital, cujo objetivo é eliminar as chamadas pontes verdes — plantas daninhas e plantas voluntárias (tiguera) que permanecem no campo e servem de hospedeiras e abrigo para pragas e doenças. Ao realizar o controle químico e o manejo de solo nesse estágio, o produtor interrompe o ciclo de reprodução de plantas daninhas e reduz drasticamente o banco de sementes de invasoras que poderiam comprometer a qualidade do grão futuro", explica Maggioni. Fabrício Rosa, diretor-executivo da Aprosoja Brasil, os episódios recentes de devolução de 20 navios pela China mostram que a conformidade fitossanitária não é opcional. "Com esta cartilha, a Aprosoja Brasil continuará com o compromisso assumido de alertar os produtores sobre a identificação equivocada de pragas quarentenárias a fim de manter em alta a reputação da soja brasileira frente aos compradores externos", afirmou. Initial plugin text