Diesel mais caro deve gerar custo de R$ 612 milhões para agricultura no RS

A guerra no Oriente Médio, que em menos de dois meses fez o barril de petróleo Brent saltar US$ 70,99 para mais de US$ 100, trouxe reflexos no agronegócio do...

Diesel mais caro deve gerar custo de R$ 612 milhões para agricultura no RS
Diesel mais caro deve gerar custo de R$ 612 milhões para agricultura no RS (Foto: Reprodução)

A guerra no Oriente Médio, que em menos de dois meses fez o barril de petróleo Brent saltar US$ 70,99 para mais de US$ 100, trouxe reflexos no agronegócio do Rio Grande do Sul. Segundo levantamento da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), o preço médio do diesel S10 no Estado subiu 21,1% entre o final de fevereiro e o início de abril de 2026, atingindo o patamar de R$ 7,23 por litro. “O choque, que ocorre em meio à colheita da safra de verão e definição do plantio de inverno, deve gerar um custo adicional direto de R$ 612,2 milhões às operações mecânicas das principais lavouras gaúchas”, destacou a Farsul. No levantamento, a entidade destacou que o momento atual reflete uma "reprecificação estrutural do risco energético global". A tensão envolvendo o Irã e a segurança das rotas no Estreito de Ormuz elevaram prêmios de risco e custos logísticos, consolidando um novo patamar de preços para derivados. A análise revela que o impacto é diferenciado entre as culturas. O arroz desponta como a atividade mais sensível: o aumento do diesel representa um acréscimo de R$ 185,72 por hectare, o equivalente a uma perda de 2,95 sacos por hectare. "O valor atual do arroz ainda mal remunera o custo operacional. Uma perda de três sacos por hectare pode frustrar expectativas e comprometer o resultado da safra", aponta o relatório. Já a soja, embora apresente um impacto individual menor (R$ 48,74 por hectare ou 0,41 sacos por hectare), responde pelo maior prejuízo agregado ao Estado devido à sua grande área de cultivo: R$ 331,2 milhões. Em um cenário de margens operacionais estreitas e endividamento elevado, a Farsul alerta que a perda de meio saco por hectare pode ser o fiel da balança entre a saúde financeira e a inadimplência. O levantamento também aponta a disparidade de preços do diesel dentro do Rio Grande do Sul. Enquanto Porto Alegre registra o menor valor médio (R$ 7,05 o litro), produtores em Bagé pagam R$ 7,95 o litro - uma amplitude de R$ 0,90 que altera drasticamente a pressão de custos conforme a localização. Initial plugin text Diesel pode ter ainda mais impactos Caso a tensão geopolítica persista, e os preços do petróleo, e consequentemente do diesel continuem subindo, o prejuízo para o agronegócio gaúcho pode ser ainda maior. Nos cálculos feitos pela Farsul, caso o valor do diesel se estabilize em R$ 8 o litro, o impacto no agronegócio gaúcho subiria para R$ 986,3 milhões. No cenário mais pessimista, com o combustível a R$ 9, o prejuízo alcançaria R$ 1,47 bilhão. No levantamento, a entidade ainda critica a eficiência da desoneração fiscal sobre o combustível anunciada recentemente pelo governo. Para a Farsul, o benefício tende a se diluir por toda a economia, apresentando baixa efetividade para o setor produtivo que já incorporou a alta nos seus custos. Além disso, segue a entidade, a renúncia fiscal poderia comprometer as contas públicas e dificultar o controle da inflação pelo Banco Central, postergando a queda da taxa Selic e agravando o custo financeiro para o produtor. “Em síntese, o diesel deixou de ser apenas um insumo operacional para se tornar um dos principais vetores de risco para o agronegócio em 2026. Enquanto persistirem as questões geopolíticas, a margem do produtor gaúcho continuará operando sob forte pressão”, ressaltou a Farsul.