Entidades do agronegócio defendem imediata elevação da mistura do biodiesel
Uma carta aberta assinada por 43 entidades do agronegócio defende a imediata elevação da mistura do biodiesel ao diesel fóssil de 15% para 17%. Segundo o se...
Uma carta aberta assinada por 43 entidades do agronegócio defende a imediata elevação da mistura do biodiesel ao diesel fóssil de 15% para 17%. Segundo o setor, a medida é essencial para blindar a economia nacional de choques externos e consolidar o Brasil na liderança da transição energética No texto, as entidades reforçam que o atual cenário internacional está em um momento sensível, marcado por instabilidades geopolíticas e severas oscilações nas cotações globais do petróleo, com impactos diretos na economia brasileira. É imperativo e estratégico fortalecer soluções internas que garantam a nossa segurança energética, a estabilidade de preços e a mitigação dos riscos de desabastecimento. A ampliação da mistura para B17 representa uma resposta ágil, segura e plenamente alinhada aos interesses nacionais, diz a carta. A reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que poderia avaliar a solicitação foi adiada desta quinta-feira (12/3) para a próxima (19/3). Não há garantia de que o tema entrará na pauta. As entidades relatam que o Brasil tem uma dependência crônica de diesel importado e que o aumento da mistura obrigatória do biodiesel é uma medida eficaz em momento de dificuldade de compra e escoamento do combustível fóssil por conta da guerra no Irã. Estamos também em um período decisivo para o setor produtivo, com o escoamento da safra, momento em que o transporte rodoviário desempenha papel fundamental para garantir competitividade, abastecimento e dinamismo à economia brasileira. Nesse contexto, toda medida que contribua para ampliar a oferta de combustível e reduzir pressões sobre o mercado é estratégica, acrescenta o texto. As entidades defendem que o Brasil possui capacidade instalada na indústria de biodiesel, disponibilidade de matéria-prima e logística estruturada para atender com segurança e rapidez a uma eventual elevação da mistura. Leia também Produtores e entidades do agro alertam para falta de diesel no Paraná Produtores do RS paralisam trabalhos de colheita após falta de combustível para as máquinas Produtores rurais relatam alta de R$ 1 no litro do diesel e pedem ao governo maior teor de biodiesel Pelo cronograma, a mistura deveria passar de 15% para 16% em março, mas a medida ainda não foi avaliada pelo CNPE. Testes estão em curso para validar teores mais elevados de adição. No setor, porém, a avaliação de alguns interlocutores é que o aumento do índice até 20% já é autorizado pela Lei do Combustível do Futuro, ainda mais em casos de excepcionalidade como a guerra e seus efeitos nos preços internos dos combustíveis. A adoção do B17 contribuirá para diminuir a necessidade de importação de diesel, fortalecer a indústria nacional e dar maior previsibilidade ao setor produtivo. Sob a ótica técnica e mecânica, o uso do biodiesel brasileiro em patamares superiores é absolutamente seguro e chancelado por rigorosos padrões de qualidade, aponta a nota desta quarta-feira (11/3). Diferentemente de alternativas que exigem adaptações custosas de frota ou infraestrutura, o biodiesel possui tecnologia consolidada, podendo ser utilizado, inclusive, em sua forma pura. Não por acaso, diversas empresas já adotam voluntariamente o uso do B100 em suas operações comerciais, atestando a confiabilidade do biocombustível, completa o texto.