IFC, braço do Banco Mundial, investe na Raiar e estreia no segmento de ovos
A Raiar, maior produtora de ovos orgânicos do Brasil e com apenas cinco anos de estrada, conquistou um ‘partidão’ como parceiro financeiro. A Internationa...
A Raiar, maior produtora de ovos orgânicos do Brasil e com apenas cinco anos de estrada, conquistou um ‘partidão’ como parceiro financeiro. A International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial, acertou seu primeiro aporte à empresa brasileira, de US$ 50 mil, que deve ser seguido por um investimento bem maior dentro de um captação de R$ 100 milhões planejada pela Raiar para quintuplicar sua operação até 2031. Os recursos aprovados neste primeiro momento pela IFC estão sendo destinados ao levantamento e análise de dados do solo de propriedades que fornecem à Raiar soja, milho e milheto orgânicos, sem os quais é inviável produzir ovos orgânicos. Os produtores que vendem os grãos à empresa já vinham acumulando conhecimento sobre tecnologias de sementes e insumos aplicados às lavouras e manejo, mas faltavam diagnósticos mais precisos dos vários tipos de solo. Com mais informações para elevar a produtividade, a Raiar pretende atrair mais fornecedores, ampliar a produção dos parceiros atuais e, assim, sustentar o crescimento dos próximos anos. Leia também Raiar adota técnica para identificar sexo de embrião no ovo Raiar faz empréstimo de R$ 50 milhões para expandir operações de ovos orgânicos “Na agricultura orgânica, a saúde do solo é muito relevante. É preciso saber se ele estava compactado, se havia um problema de microbiologia ou de nutrientes. Sem dados completos, não se consegue diagnosticar o que funciona ou não”, explicou em entrevista ao Valor o sócio-fundador da Raiar, Luis Barbieri. “É uma análise cara, principalmente se abranger as camadas físico-química e biológica. O mais comum é a análise química.” Neste ano, 20 fazendas fornecedoras da Raiar em São Paulo e Goiás participam do projeto, que deve alcançar 40 em 2027. Para disseminar os resultados, tendo em vista o interesse crescente de agricultores no sistema orgânico — dada a rentabilidade até 20% maior e à resiliência climática trazida por práticas regenerativas — serão feitos eventos e elaboradas novas práticas de manejo. Depois de quase dobrar a receita em 2025, para R$ 70 milhões, e registrar seu primeiro Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) positivo, a Raiar, que tem sede em Avaré (SP), busca crescer cinco vezes até 2031. Isso significaria atingir, até lá, compras anuais de 100 mil toneladas de grãos orgânicos — neste ano serão 20 mil toneladas — , e um plantel de 2 milhões de galinhas (hoje são 400 mil). Além disso, a produção de ovos alcançaria cerca de 445 milhões de unidades (89 milhões são previstos para este ano), a depender de condições de mercado e consumo. Initial plugin text É para viabilizar esse crescimento, incluindo mais galinheiros, silos para grãos e compra de volumes maiores, que a Raiar prepara a nova captação, de R$ 100 milhões, a ocorrer “nos próximos meses”, segundo Barbieri. A IFC deve participar, mas ainda não diz o valor exato nem por qual via — crédito ou investimento em participação (equity) minoritária na empresa. “Como banco de desenvolvimento, o objetivo da IFC é, em primeiro lugar, apoiar esse tipo de estudo para criar um novo mercado, conectar produtores a oportunidades mais rentáveis. Mas, obviamente, o objetivo final não é parar nesses US$ 50 mil, mas de alguma maneira fazer um investimento conjunto na Raiar e suportar esse projeto”, disse ao Valor o executivo líder para Investimentos em Agricultura, Manufatura e Serviços da IFC para o Brasil, Luiz Daniel de Campos. “Estamos discutindo com alguns parceiros. A ideia era trazer a IFC para perto, conhecer o nosso negócio e que eles possam participar dessa nova captação”, acrescentou Barbieri. Nas conversas entre IFC e Raiar, nenhuma das hipóteses — crédito ou equity — está descartada, segundo Campos. Em companhias do porte da Raiar, diz ele, investimentos do banco costumam ser de US$ 10 milhões a US$ 15 milhões, o que poderia representar, ao câmbio de hoje, até 80% do total. Essa não será a primeira captação da Raiar. Até hoje, a empresa já levantou R$ 135 milhões em troca de participações, que contribuíram para um investimento total de R$ 97 milhões. Neste ano, a empresa deve construir seis novos galinheiros e mais silos para ampliar a recepção de grãos. Do lado da IFC, o Brasil absorve parcela relevante dos investimentos para os setores de agricultura e florestas. De US$ 1,43 bilhão comprometido no mundo em 2025 (sem contar recursos de terceiros alavancados pela instituição), US$ 500 milhões foram para o país. Em 2026, a estimativa é destinar de US$ 800 milhões a US$ 1 bilhão ao segmento no Brasil, de um total de US$ 3 bilhões que inclui dinheiro de terceiros, disse Campos. A instituição já possui investimentos em empresas como a Alvoar, de laticínios, São Martinho, de açúcar e etanol, e Suzano, de celulose. Em ovos, é o primeiro da IFC em todo o mundo. “Há cinco anos, qual era o tamanho do mercado de ovos orgãnicos? Muito menor. Provavelmente não havia uma companhia neste setor com escala e sustentabilidade socioambiental para acomodar o investimento da IFC”, afirmou Campos. O Grupo Banco Mundial, disse ele, tem a meta de dobrar seus investimentos em agronegócios e florestas no mundo, dos US$ 4,5 bilhões comprometidos no ano passado para US$ 9 bilhões em 2030. Somados US$ 5 bilhões mobilizados junto a terceiros, o total deve chegar a US$ 14 bilhões.