Impacto de tarifa dos EUA nas exportações do agro brasileiro pode chegar a US$ 1 bilhão, diz Farsul
A proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de sobretaxar em 25% alguns produtos do Brasil poderá afeta...
A proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de sobretaxar em 25% alguns produtos do Brasil poderá afetar diretamente quase 37% das exportações do agronegócio brasileiro para lá e impactar negócios que renderam US$ 4,19 bilhões aos empresários nacionais em 2025. Caso as tarifas de 25% sejam realmente aplicadas, o impacto direto nas exportações brasileiras pode chegar a US$ 1 bilhão. Os dados foram consolidados pela assessoria econômica da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). Os setores brasileiros mais afetados seriam o de produtos florestais, que exportou US$ 1,64 bilhões e poderia ser afetado em mais de US$ 410 milhões de taxação; o complexo sucroalcooleiro, que vendeu US$ 401 milhões e seria taxado em US$ 102,5 milhões; e o sebo bovino, que faturou US$ 416 milhões de exportações em 2025 e teria impacto previsto de US$ 104 milhões em um ano com a taxação. Os cálculos consideram a manutenção do mesmo fluxo comercial no período de um ano. Leia também Setor de pescados defende busca de novos mercados e articulação com os EUA para reverter tarifaço Nova tarifa dos EUA traz ‘tensão’ à indústria de café solúvel, que vê espaço para negociação Usinas dizem que tarifa sobre etanol não é direcionada aos EUA e apostam em ‘negociação’ Rio Grande do Sul No Rio Grande do Sul, o impacto pode ser percentualmente mais significativo. Cerca de 75% das exportações do agronegócio gaúcho poderão ser afetadas pelo novo tarifaço, se confirmado em julho. São negócios que renderam US$ 575 milhões em 2025. No agronegócio gaúcho, os setores mais impactados seriam fumo e seus produtos (US$ 181 milhões) e produtos florestais (US$ 128 milhões). "O Rio Grande do Sul apresenta vulnerabilidade desproporcionalmente maior à proposta de sobretaxa. Enquanto no Brasil apenas 43,7% das exportações totais aos EUA estariam afetadas, no Rio Grande do Sul esse percentual sobe para 81,1%. No agronegócio, a diferença é ainda mais marcante: 36,8% do agro brasileiro versus 74,9% do agro gaúcho. Isso ocorre porque a pauta gaúcha tem maior peso em setores como madeira, fumo e outros produtos florestais, exatamente aqueles não inclusos nas listas de exclusão da proposta do USTR", disse a Farsul, na nota. Segundo a análise da Farsul, 43,7% das exportações totais do Brasil para os EUA (US$ 16,5 bilhões) poderão ser impactadas, ao considerar também outros setores da economia. No recorte estadual, o impacto poderá ser de US$ 1,34 bilhão, em cima de 81,1% das vendas de vários setores gaúchos. "A proposta de sobretaxa de 25% sobre importações americanas representa risco significativo para Brasil e Rio Grande do Sul. O estado gaúcho enfrentaria impacto proporcionalmente maior pela composição da pauta exportadora, com elevada exposição a fumo, madeira e produtos florestais. A negociação sobre inclusões/exclusões será crítica para mitigar impactos econômicos", completou a Farsul. Paraná A Federação da Agricultura e Pecuária do Paraná (Faep) avaliou que a possível taxação dos Estados Unidos sobre produtos do agronegócio brasileiro terá impacto limitado no setor produtivo paranaense. Caso entre em vigor, a medida deve afetar itens como produtos florestais, pescados e mel. No entanto, outros itens, considerados estratégicos pelos EUA, estarão isentos da sobretaxa (carnes, frutas e café). Essa cesta é relevante na pauta da exportação do Paraná para os americanos. "Embora a nova tarifa americana represente um sinal de alerta e deva afetar alguns dos setores, o impacto na agropecuária do Paraná tende a ser limitado. Isso porque parte expressiva da exportação agropecuária paranaense aos Estados Unidos segue isenta dessa sobretaxa", avaliou, em nota, o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. Entre janeiro e maio de 2026, o Paraná exportou para os EUA cerca de US$ 24,5 milhões em café, US$ 11 milhões em carnes e US$ 165 mil em frutas. Os itens que poderão ser taxados e que preocupam os paranaenses são os produtos florestais. Ao todo, o segmento representou US$ 90 milhões nas exportações do Paraná para os EUA neste ano, segundo a Faep. "Ainda que a taxação não atinja todo o setor, não podemos ignorar o peso dessa medida, que deve atingir produtores que movimentam um segmento considerável das exportações paranaenses", disse Meneguette. A entidade também criticou as conclusões da investigação do órgão comercial americano (USTR) que motivou a proposta de taxação. O relatório afirma que áreas desmatadas ilegalmente seriam utilizadas para atividades agropecuárias, o que proporcionaria às exportações do agronegócio brasileiro uma vantagem competitiva considerada injusta. "Classificar a nossa produção dessa forma é um erro. O agronegócio do Paraná segue legislações ambientais rigorosas, com rastreabilidade e um compromisso real com a preservação", concluiu o dirigente. Initial plugin text