Pesquisa pode reduzir o uso de fungicidas no cultivo de tomates

Entender melhor como a genética e os microrganismos interagem para proteger o tomate contra doenças é o objetivo principal de um estudo desenvolvido pelo ag...

Pesquisa pode reduzir o uso de fungicidas no cultivo de tomates
Pesquisa pode reduzir o uso de fungicidas no cultivo de tomates (Foto: Reprodução)

Entender melhor como a genética e os microrganismos interagem para proteger o tomate contra doenças é o objetivo principal de um estudo desenvolvido pelo agrônomo brasileiro Henrique Petry Feiler, orientado pela Dra. Lori Hoagland, na Universidade de Purdue, nos Estados Unidos. “A pesquisa visa apontar caminhos para desenvolver plantas mais resistentes no futuro”, explica Feiler. O pesquisador exemplifica que foi localizada, durante o estudo, uma possível região do genoma do tomate que funciona semelhante a uma vacina: quando a planta interage com um microrganismo benéfico, a interação confere uma maior defesa à ela. “O melhoramento genético com foco nessa região do genoma pode diminuir a dependência de fungicidas na produção da cultura”, afirma. Foi analisada uma população de 450 tomates, derivada do cruzamento do tomate selvagem e do tomate cultivado. A pesquisa integra um projeto de melhoramento de cultivares de tomate para cultivo orgânico (Tomi), desenvolvido nos Estados Unidos com apoio de órgãos como o Departamento de Agricultura do país (Usda). O principal problema estudado foi o mofo cinza que, conforme o pesquisador, representa um risco no campo e no pós-colheita para a o tomate. “A identificação do microbioma que ativa o sistema de defesa natural das plantas deve resultar na redução do uso dos fungicidas especialmente para cultivos não convencionais, o que irá facilitar a vida do produtor”, acrescenta. De acordo com a Embrapa, cerca de 15% dos custos de produção de tomate são atribuídos ao uso de fungicidas no combate a doenças. O estudo intitulado “De volta às raízes: interações entre plantas e microrganismos no tomate, com foco na indução de resistência sistêmica” foi apresentado pelo agrônomo para obtenção do título de PhD, no dia 16 de maio. Feiler explica que a resistência sistêmica induzida (ISR) é um mecanismo natural de defesa das plantas, que depende tanto da genética quanto dos microrganismos presentes no solo. “No entanto, ainda sabemos pouco sobre como esse processo funciona em tomates”, pondera. No estudo, a ISR foi investigada por meio da análise de três fatores principais: os compostos rhizosphericos produzidos pelas plantas, os microrganismos associados a elas e suas diferenças genéticas. “Para isso, utilizamos três tipos de tomate que representam diferentes estágios de domesticação - do selvagem ao cultivado -, além de uma população híbrida obtida do cruzamento entre um tomate selvagem com forte resposta de ISR e uma variedade cultivada com resposta mais fraca”, relata. Segunda fase Uma segunda fase do projeto será desenvolvida, com testes em variedades elites de tomate, que são focadas em alto rendimento e qualidade. “São variedades com boa produtividade e adaptadas ao cultivo agrícola, o que permitirá a busca por respostas para outras doenças e outros inoculantes”, comenta Feiler. O agrônomo acrescenta que a pesquisa também traz outras contribuições do ponto de vista científico, uma vez que deverá acelerar o trabalho de melhoristas por meio desse marcador molecular, fazendo com que pesquisadores possam, em laboratório, além de começar a isolar essa região do genoma para o melhoramento, isolar genes e compostos para outras aplicações. O estudo é resultado de uma parceria entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Universidade de Purdue, por meio do Programa Capes/Purdue para Projetos Conjuntos de Pesquisa. Henrique Feiler foi o primeiro a se formar pela parceria. O pesquisador comenta que deve trabalhar pelos próximos um ou dois anos no polimento da pesquisa desenvolvida, ainda nos Estados Unidos. A pesquisa será publicada no banco da Universidade de Purdue, além de ser submetida a revistas científicas da área. Initial plugin text