Robôs voadores colhem laranjas no pomar

Basta dar o play e o robozinho, que lembra um drone, decola e começa a colher laranjas no pomar. Essa invenção, que funciona de forma autônoma, sem o comand...

Robôs voadores colhem laranjas no pomar
Robôs voadores colhem laranjas no pomar (Foto: Reprodução)

Basta dar o play e o robozinho, que lembra um drone, decola e começa a colher laranjas no pomar. Essa invenção, que funciona de forma autônoma, sem o comando de nenhum operador, pode parecer tirada de um filme futurista, mas já chegou ao Brasil com a importação da tecnologia da Tevel, uma startup israelense. A Dal Tecnologia foi a responsável por importar os “robôs aerobóticos” há cerca de dois anos. Desde então, eles estão em fase de divulgação e testes em grandes fazendas de laranja do Brasil. Os robôs voam entre os pomares ligados por um cabo a uma base móvel terrestre. Com câmeras, sensores e um software acoplado à tecnologia, a máquina é capaz de localizar os frutos no pomar, avaliar características como tamanho, cor e ponto de maturação, e colher um por um. Para isso, tem estruturas semelhantes a “braços” com uma borracha na ponta que suga as laranjas. Leia também Sistema com inteligência artificial acelera análise de fertilizantes Cientistas brasileiros criam revestimento para liberação de fertilizante A base móvel terrestre funciona como o centro de operação do sistema: fornece energia aos drones por meio dos cabos, transporta os frutos colhidos em cestos e processa os dados captados pelas câmeras. O robô também tem a opção de ser equipado com um cortador (ou “trimmer”) para cerrar o caule da laranja, em vez de ter o bico de sucção. Com o cortador, o robô corta o caule e a fruta cai no solo. Nesse caso, por causa da queda, a fruta só pode ser utilizada para fabricação de suco, enquanto as laranjas colhidas por sucção podem ir à mesa. Alexandre Luque, diretor de operações da Dal Tecnologia, diz que a adoção da tecnologia tende a crescer e ganhar escala diante dos desafios provocados pela falta de mão de obra no Brasil. Para ele, os robôs não substituem os colhedores, mas são complementares. Isso porque os drones foram desenvolvidos para colher laranjas na parte superior das árvores. “Muitos produtores podam as árvores bem baixas, entre 3,5 e 4 metros para facilitar a colheita manual e reduzir o risco de acidentes. Só que uma árvore mais alta produziria mais. O produtor corta para não ter a dificuldade da colheita manual [no topo da árvore], mas perde produtividade”, afirma. Outra vantagem é a produtividade da tecnologia. Um drone colhe uma fruta a cada 12 segundos. Segundo Roberto Carlos de Sousa, diretor de negócios da companhia, um conjunto completo comercializado pela empresa tem seis drones, o que significa uma fruta colhida a cada dois segundos se todos estiverem operando. “Pode parecer lento, mas essa estrutura opera 24 horas por dia, sete dias por semana”, acrescenta Luque. Sousa revela que existem “projetos-piloto remunerados” em andamento em uma das principais fabricantes de sucos com forte presença no Brasil, que está fazendo os investimentos. Na Europa, a tecnologia existe há cerca de oito anos e já é utilizada comercialmente sobretudo na colheita de maçãs. “No Brasil, o foco principal será a laranja, mas também oferecemos para produtores de maçã”, afirma Luque. De acordo com o executivo, produtores de goiaba, pera e pêssego do Brasil já demonstraram interesse pela tecnologia, mas o algoritmo ainda precisa ser aprimorado para uma colheita efetiva. “Por ora, mantemos o foco em laranja e maçã para não dispersar o desenvolvimento”, diz. O jornalista viajou a convite do Centro de Citricultura Sylvio Moreira