Tempo seco em abril eleva risco de perdas na segunda safra
Com o início do outono, a preocupação nas áreas centrais do Brasil passa a ser o período final das chuvas da estação chuvosa. Essa mudança no regime de ...
Com o início do outono, a preocupação nas áreas centrais do Brasil passa a ser o período final das chuvas da estação chuvosa. Essa mudança no regime de precipitação impacta diretamente as culturas agrícolas de segunda safra, como algodão, feijão e milho. Nesta safra, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) houve períodos chuvosos no momento da semeadura dessas culturas, impossibilitando ou atrasando o plantio dentro da janela ideal, principalmente em áreas dos Estados de Goiás e Minas Gerais. Nesses Estados, as culturas encontram-se entre as fases vegetativa e reprodutiva, período em que a demanda por água aumenta devido à formação de novas estruturas e ao aumento da transpiração, elevando a sensibilidade das plantas ao estresse hídrico. Até o momento, de acordo com o Inmet, o desenvolvimento das culturas tem sido favorecido por chuvas frequentes e temperaturas próximas do normal. No entanto, a preocupação aumenta devido à previsão de redução das chuvas a partir da segunda quinzena de abril. Segundo a Nottus Meteorologia, a segunda metade de abril deve apresentar uma significativa redução das chuvas sobre as áreas mais centrais do país. “Até o dia 14 de abril, grande parte da região central já apresenta chuvas abaixo da média para o período, e até o fim do mês pouca chuva é esperada para a região. Os maiores acumulados devem ser registrados sobre o extremos do Brasil, o que é característico para essa época do ano.” Este cenário de baixos acumulados de chuva, associado a temperaturas do ar elevadas e à baixa umidade relativa, impõe restrições ao desenvolvimento das culturas de milho, feijão e algodão na região, alerta o Inmet. No milho, os impactos incluem a redução da área foliar, com prejuízos à polinização e, consequentemente, à formação de espigas e ao número de grãos. Para o feijão, os efeitos variam conforme o estádio fenológico, podendo ocorrer desde o abortamento de flores até o baixo pegamento de vagens, resultando em queda de produtividade. Já no algodão, a diminuição antecipada das chuvas tende a reduzir a emissão de ramos produtivos e de botões florais, o que implica menor número de maçãs por planta e redução do potencial produtivo.