Tomate dispara e acumula alta de mais de 20% em 2026; saiba por quê

O tomate, alimento muito presente na cozinha brasileira, voltou a pesar no bolso do consumidor. Na última semana, a variedade longa vida registrou forte alta e...

Tomate dispara e acumula alta de mais de 20% em 2026; saiba por quê
Tomate dispara e acumula alta de mais de 20% em 2026; saiba por quê (Foto: Reprodução)

O tomate, alimento muito presente na cozinha brasileira, voltou a pesar no bolso do consumidor. Na última semana, a variedade longa vida registrou forte alta em supermercados e feiras pelo país, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Em São Paulo, por exemplo, entre os dias 2 e 6 de março, o aumento chegou a 55,2% comparado ao período de 23 a 27 de fevereiro, com a caixa sendo comercializada, em média, a R$ 110. O número foi ainda mais expressivo em Campinas (SP): alta de 85% e caixa por R$ 140,71. No Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação divulgado nesta quinta-feira (12/3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a elevação foi a segunda maior do grupo “alimentação e bebidas” no acumulado de 2026: 20,87%. Ele só ficou atrás do pepino, que teve alta de 32,02% nos dois primeiros meses do ano. Preço do tomate no atacado (semana de 2 a 6 de março) De acordo com João Paulo Bernardes Deleo, pesquisador do Cepea, a alta já era esperada, uma vez que os preços do tomate vinham em patamares pouco atrativos para os produtores desde o início da colheita da safra de verão, em novembro. No mês seguinte, os valores se mantiveram relativamente estáveis. “Em janeiro deste ano, deu uma melhorada. Em fevereiro, observamos elevação no início do mês, mas aí veio o pico da safra, somado ao calor, que acelerou a maturação e derrubou os preços. Depois disso, ele vem se recuperando. E como teve uma maturação concentrada em fevereiro, há menos frutos para serem colhidos agora”, comenta Deleo. Segundo o Cepea, a valorização recente do tomate da variedade longa vida no mercado atacadista está diretamente ligada à redução da oferta nos entrepostos do país, como em Caçador (SC), município que lidera a produção em Santa Catarina e apresenta uma safra expressiva em fevereiro. Leia também Quais são os dez alimentos que mais subiram de preço nos últimos 12 meses? Mamão havaí alcança maior preço desde junho de 2025 O tomate vai subir mais? O especialista ouvido pela Globo Rural afirma que a tendência para as próximas semanas é de relativa estabilidade, embora oscilações pontuais possam ocorrer no mercado. “Não dá para dizer que o preço vai subir mais. Pode, sim, ter semanas mais altas do que agora e outras mais baixas, mas acredito que, na média, deve ficar em um patamar semelhante ao atual”. Para Deleo, o comportamento é comum no período de transição entre o pico e a desaceleração da safra, quando a oferta começa a diminuir gradualmente, mas ainda sem pressão suficiente para provocar a disparada nos preços. “É preciso entender que o custo de produção de tomate é muito alto. No pós-porteira, até chegar ao consumidor, outros agentes são incluídos na cadeia, e os custos também aumentam. Então, em um momento como agora, apesar de o fruto se tornar caro para o consumidor, não significa que o produtor esteja obtendo alta rentabilidade”, finaliza.