Venda de máquinas agrícolas deve ter quinto ano de retração no Brasil
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê queda de 6,2% nas vendas internas de máquinas agrícolas em 2026, o que seria...
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê queda de 6,2% nas vendas internas de máquinas agrícolas em 2026, o que seria o quinto ano seguido de recuo. A projeção indica 46,7 mil unidades comercializadas até o fim do ano. “Os juros elevados têm inibido o acesso às linhas de financiamento do setor”, ressalta Igor Calvet, presidente da Anfavea, que lembrou da pequena retração da taxa Selic de juros para 14,75% em março. “Trabalhávamos com a projeção de fechar o ano com uma Selic de 12,3%, mas a guerra no Oriente Médio deve pressionar o Banco Central a diminuir o ritmo da queda da taxa”, avalia. O executivo ainda cita as margens de lucro apertadas do produtor, em consequência de baixa nos preços das commodities e de custos em alta, como barreiras para o crescimento das vendas no setor. Nesta quarta-feira (15/4), a Anfavea informou que as vendas internas de máquinas agrícolas caíram 3,6% em 2025, para 49,8 mil unidades. Segundo Calvet, a queda “drástica” de 22% na comercialização de colheitadeiras foi a principal responsável pelo recuo registrado pelo quarto ano consecutivo. “É o destaque negativo, porque somos um país cuja safra foi muito boa, mas isso não se traduziu em compra de máquinas”. Ainda segundo a Anfavea, as vendas de tratores de rodas recuaram 2,1%, de 47,5 mil em 2024, para 46,5 mil no ano passado. Mercado externo As exportações do setor apresentaram alta de 2,4% de 2024 para 2025, passando de 6,2 mil para 6,3 mil máquinas. Já as importações alcançaram recorde de 11 mil máquinas em 2025, 9,4% a mais do que as 9,4 mil unidades importadas em 2024. A Índia, com 6 mil unidades, lidera o ranking de modelos estrangeiros, enquanto a China, com crescimento de 85,7%, representou 3,9 mil unidades importadas no ano passado. Um estudo do Boston Consulting Group (BCG) encomendado pela Anfavea indica que os produtos chineses e indianos apresentam vantagens em relação aos nacionais em escala, preço do aço e mão de obra, o que reduz o custo de produção em até 27%. “Isso nos coloca diante de um desafio urgente de apoio à produção nacional, sob pena de perdermos investimentos, empregos, conhecimento estratégico e arrecadação gerada pela indústria de máquinas autopropulsadas, justamente em um país reconhecido pela força do seu agronegócio e da construção civil”, afirma o presidente da Anfavea.