Vendas de soja do Brasil despencam após mudanças em fiscalização para a China

A comercialização de soja do Brasil nesta semana foi quatro vezes menor, aproximadamente, do que na semana passada, depois que o Ministério da Agricultura mu...

Vendas de soja do Brasil despencam após mudanças em fiscalização para a China
Vendas de soja do Brasil despencam após mudanças em fiscalização para a China (Foto: Reprodução)

A comercialização de soja do Brasil nesta semana foi quatro vezes menor, aproximadamente, do que na semana passada, depois que o Ministério da Agricultura mudou a fiscalização nos portos de cargas do grão destinadas à China. O país comercializou ao redor de 1,5 milhão de toneladas de soja até esta sexta-feira (13/03). Na semana passada, foram cerca de seis milhões de toneladas negociadas, de acordo com uma fonte do mercado consultada pela reportagem que pediu anonimato. O analista sênior de grãos da Marex, Eduardo Vanin, também disse em comentário a clientes que o volume de soja vendido pelo Brasil especificamente para a China na semana, cinco navios, ficou abaixo até dos seis navios comercializados durante o feriado do Ano Novo Lunar, historicamente marcado por fraca negociação. A falta de previsibilidade dos custos de fretes marítimos, em decorrência do conflito no Oriente Médio, também influenciou a demanda, segundo Vanin. O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, viajará em missão à China na próxima semana para tratar da fiscalização das cargas brasileiras de grãos para o país e regras fitossanitárias demandadas pelos chineses, conforme informação confirmada pela assessoria de comunicação da pasta à reportagem. Na tarde desta sexta-feira (13/02), o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, também disse a jornalistas em Mato Grosso que terá reunião na segunda-feira (16/03) com todas as tradings para tratar do tema. Segundo Fávaro, a China vinha fazendo alertas sobre a presença de ervas daninhas proibidas, pelo protocolo fitossanitário chinês, nas cargas de soja do Brasil, o que levou o ministério a intensificar a fiscalização das cargas nos portos. Conforme apurou a reportagem, as alterações no processo de inspeção comprometeram ao menos 20 navios carregados com o grão para a China no momento em que as exportações brasileiras costumam alcançar os maiores volumes. Além disso, a Cargill suspendeu a exportação de soja brasileira para a China e as compras do grão para o destino, de acordo com a Reuters. Ao menos outras duas outras tradings, Cofco Internacional e CHS Agronegócios, relataram problemas com embarques de soja, segundo documentos obtidos pelo Valor. Consultadas, a Cofco e a Cargill disseram que se manifestariam por meio da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a CHS não respondeu às solicitações. O presidente da Cargill no Brasil, Paulo Sousa, disse que o Ministério não vem aceitando amostras-padrão de empresas supervisoras, autorizadas pela pasta para inspecionar as cargas e emitir certificados fitossanitários exigidos no porto de destino para que a carga possa ser descarregada. A menor liquidez no mercado brasileiro também levou a uma queda dos preços da soja nesta semana, da ordem de R$ 5 a R$ 6 por saca, segundo Vanin, da Marex. Ele pondera, entretanto, que o menor fluxo do grão para a China tende a gerar pressão sobre os custos do suinocultor chinês, que já trabalha com preços baixos do suíno e tem visto na bolsa de Dalian altas do farelo e do óleo de soja, usados na alimentação dos animais. Segundo Vanin, a China ainda precisa comprar cerca de 25 milhões de toneladas de soja. O analista disse ainda que clientes chineses vêm comentando que pode ter havido “exagero” do ministério na reação às reclamações da China. Initial plugin text Na conversa com jornalistas nesta sexta-feira, Fávaro disse que vai conversar com as tradings para que se possa “agilizar” o processo de liberação das cargas, desde que com a garantia de que a soja saia do Brasil com “atestado de qualidade”. Em nota à reportagem, o Ministério havia destacado que a exportação de soja brasileira e seus coprodutos segue protocolos estabelecidos pelos países importadores e que é papel da pasta certificar o atendimento das exigências fitossanitárias dos compradores. “O Mapa (...) trabalha com a certeza do comprometimento dos produtores e exportadores brasileiros com os critérios já estabelecidos para manutenção da confiabilidade e a competitividade da soja nacional no mercado externo”.